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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

UMA POSSÍVEL LEITURA DA CARTOMANTE DE MACHADO DE ASSIS.

UMA POSSÍVEL LEITURA DA CARTOMANTE DE MACHADO DE ASSIS.

                                                        Francisco Eriberto de Souza e Janaína Socorro Farias. (UNINORTE)
                              Profª. MSc. Francisca de Lourdes Louro Uninorte-Esbam lourdeslouro@yahoo.com.br

A história deste conto tem o início com uma conversa entre Rita e Camilo amantes que dialogam sobre a visita que a mesma fez à uma Cartomante e parafraseia Shakespeare com a frase do texto Hamlet: “Há mais coisas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia”. É a partir desta analogia, que Machado de Assis, descreve no conto a questão do mistério e da realidade humana, enfatizado nas três personagens principais da trama, Rita, Camilo e Vilela, tendo como coadjuvante a figura de uma mulher estrangeira a Cartomante. Rita, tal qual as demais personagens femininas de Machado é bonita, misteriosa, astuciosa, porém, tonta. Já os homens, como Camilo, inexperientes, jogam-se no envolvente triângulo amoroso através das atitudes insólitas de mulheres como Rita. Vilela, parte da confiança ao silêncio mórbido de que agora faz parte de um triângulo amoroso onde assiste calado, a possível traição de Camilo e com a esposa. De certo, a figuração da cartomante representa na narrativa, toda perspicácia machadiana que a frase de shakespereana instiga: mistérios. Os mistérios estão por todo decorrer da narrativa, com astúcia o narrador mostra o triângulo amoroso, a figura decadente da cartomante, mulher de quarenta anos, magra, olhos agudos, vigilantes da alma humana, unhas descuradas, porém, na mesma, mostra-a com dentes perfeitos por onde diz as mais belas mentiras que todo angustiado gosta de ouvir, como a famosa frase ao jogar o baralho:“as cartas me dizem”. Desta forma, toda a culpa da mensagem contrária à sorte é jagada para o oráculo moderno. E outra que Diz a Camilo quando termina a cunsulta: “Vá, vá ragazzo inamorato” numa alusão à cantiga de barcarola do Trovadorismo. O texto envolve o leitor em superstição, crença, desconfiança, uma visão pessimista do amor sobre a instituição casamento. Também, pode-se perceber, que nas mulheres machadianas, está o envolvimento extraconjugal por elas terem migrado de um antigo movimento em que as donzelas liam os romances de amor, quando chegou a estética do Realismo, essas leitoras, querem vivenciar no casamento o amor idealizado, lido e, não encontrando, recorrem ao amante. Nota-se nesse texto, que o escritor coloca, pelo menos, três localizações principais: A casa do encontro; A residência do casal e o oráculo, onde o desfecho de cada ação das pessoas, possivelmente, é levado a um triângulo de mistérios e ocorrências imprevisíveis. Dessa forma, todo esse tempo é simbolizado desde o início do conto na observação de Hamlet a Horácio com a verdade do Rei da Dinamarca, destinando assim prender o leitor até o fim da história.

Palavras-chave. Cartomante, Mistério, Triângulo amoroso, Sorte.

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