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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

A lei da porrada

Diálogo entre duas turmas de participantes da oficina de fotografia:
- Uma vez, fizemos rebelião aqui. Já aconteceu isso na sua escola?
- A gente quebra tudo lá também.
- É mesmo? As portas já foram arrancadas, os vidros quebrados e as mesas tacadas longe?
- Hã, hã... Mas com menos fúria.
- Aqui, teve um dia que começou a voar tudo: cadeira, mesa, caderno...Era gente chorando pra todo lado.
A confusão só acabou quando chegou a polícia especial.
Nesse ponto, parece que todos (alunos, professores, diretores) concordam. "A escola seria melhor se os baderneiros fossem embora. Tem muita gente sem vontade de aprender", resume um de nossos jovens fotógrafos. Por que, então, essa rotina de violência se repete?
Alguns dizem que se os estudantes se sentissem verdadeiramente donos do pedaço escolar não haveria tanta depredação e tanta violência. Outros acham que a raiz do problema é que se instalou em muitos colégios uma espécie de lei da porrada: ganha quem fala mais alto. E o círculo vicioso parece não ter fim. Todos reclamam que as carteiras são rabiscadas, os muros pichados, as paredes depredadas e os vidros quebrados.
Mas, quando eles são trocados, permanecem poco tempo intactos. As relações humanas parecem também se desmanchar facilmente.
"Cala a boca, ô, seu bolo fofo", "japonês, chinês e coreano é tudo a mesma m...", "Aquela pretinha me paga" foram frases preferidas com naturalidade nas duas escolas durante a produção desta reportagem.
Os jovens sabem perfeitamente que são ao mesmo tempo vítimas e protagonistas da violência.
Eles netendem que é preciso pulso firme para controlar esse desejo desenfreado de romper os limites. 
Mas acham muito chato ter de passar por tudo isso dentro de um lugar chamado escola, onde eles deveriam estar aprendendo.

Trecho de uma reportagem especial, em comemoração à edição 200 da revista Nova Escola. Março, 2007.

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