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domingo, 27 de novembro de 2011

O mito do Dr. Fausto

O mito do Dr. Fausto
(o homem que vendeu sua alma ao demônio)

A tradição cultural européia registra, com o nome de Doutor Fausto, um ser humano que existiu no mundo real, tendo vivido na Alemanha entre 1480 e 1540. Ele acabou sendo qualificado por historiadores como um pseudomédico, humanista, praticante de alquimia e de magia, audacioso aventureiro, milagreiro e charlatão, luxurioso e homossexual. Logo após a morte, sua singular personalidade foi envolta por lendas, especialmente as relacionadas com um pacto que ele teria estabelecido com o Diabo.  Na feira de Frankfurt, em 1587, apareceu um escrito anônimo, Historia Von D.Johann Fausten, que será a fonte das posteriores obras científicas e literárias sobre esse personagem. Mas foi com o poema dramático de J.W.Goethe (1749-1832), o maior escritor romântico da Alemanha, que a figura de Fausto se tornou mundialmente famosa.

        O drama Urfaust (O Primeiro Fausto: 1808) é composto de uma parte introdutória (Dedicatória, Prólogo no teatro e Prólogo no céu) e de vinte e seis cenários, cada qual com um título, como se fossem pequenos capítulos (Noite, Em frente à porta da cidade, Fausto e Wagner etc.).  Resumimos o assunto do longo poema goethiano, falando apenas dos três personagens principais: Fausto, Margarida e o diabo Mefistófeles.  Lá no céu, Deus (o Senhor) e o Diabo (Mefistófeles) fazem uma aposta a respeito do comportamento, lá na terra, do protagonista Fausto, jovem irrequieto e amante dos prazeres da vida, mas atormentado pelo desejo de tudo conhecer e pela aspiração ao infinito.

O Senhor diz a Mefistófeles que logo Fausto, pelas suas qualidades intelectuais e espirituais, conseguirá a Luz Divina, que lhe resolverá todas as dúvidas.  O Diabo contesta e desafia Deus, pedindo-lhe permissão para descer na terra e seduzir o jovem, oferecendo-lhe bens materiais em troca de sua alma imortal. Aceito o desafio, Mefistófeles se encarna num estudante andarilho e aparece a Fausto, fazendo-lhe a proposta da troca da sua alma por todos os prazeres desejados.  O jovem aceita o pacto, dizendo:

“Se eu estiver com lazer num leito de delícias, não me importa morrer...Quero firmar o acordo”

Cumprindo o prometido, Mefisto leva Fausto numa adega para tomar vinho e na tenda de uma feiticeira que lhe dá um elixir para reforçar seu erotismo.  Logo se apaixona pela belíssima Margarida, mocinha de quinze anos, que não lhe dá bolas.  Mefisto explica a Fausto que o diabo não tem poderes sobre uma jovem virgem e honesta, mas que nenhuma mulher resiste a presentes caros.  Um cofre cheio de jóias preciosas acaba amolecendo o coração de Margarida, que ministra um soporífero a sua mãe e passa a noite com o namorado.  Mas logo o pecado é castigado, dando origem a uma serie de desgraças.  Seu irmão Valentim, jovem soldado, para vingar a honra da família, desafia Fausto num duelo, mas acaba sendo morto, pois o sedutor conseguira a ajuda do diabo.

 O sentimento de culpa pela morte do irmão e pela gravidez inesperada deixa Margarida num estado de prostração e de loucura.  Pela sua fala alucinada, na cela de uma prisão, o espectador ou o leitor da peça fica sem saber se é verdade, ou pura fantasia, a notícia de que ela matara a mãe e o filhinho, pois ela não reconhece mais sequer a pessoa do próprio amante, sempre acompanhado por Mefisto.  Margarida sente horror à presença do Diabo e prefere entregar-se à Justiça de Deus, suplicando pela salvação da sua alma. Vozes vindo do Alto anunciam que ela está salva. Fausto e Mefistófeles desaparecem sobre corcéis na fria madrugada. Cai o pano. Na próxima semana falaremos sobre o sentido desta peça de Goethe e da atualidade do mito de Fausto.

Salvatore  D'Onofrio

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