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sábado, 19 de novembro de 2011

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Avós têm papel importante na educação das crianças, mas não substituem os pais RENATA RODE

Seja por necessidade ou escolha, avós estão cada vez mais presentes na educação dos netos. Em alguns casos, a participação é constante e a responsabilidade sobre eles é maior do que deveria. Auristela Temperani, 41 anos, supervisora administrativa de São Paulo, é divorciada e tem três filhas. Transferida para o Pará, deixou as meninas sob os cuidados da avó por três anos. "Na época, elas tinham 11, 15 e 19 anos e a mudança gerou uma dose de rebeldia no começo. Mas como eu já tinha passado por problemas com babás e empregadas, optei por pedir ajuda à minha mãe e não me arrependo", diz.
Para Blenda Marcelletti, terapeuta especializada em família, avós não foram feitos para terem a responsabilidade da educação dos netos. Isso cabe aos pais. “É uma tarefa intransferível quando os pais existem e gozam de boa saúde física e mental. Entretanto, não é preciso ser radical, criando uma situação desconfortável ou confusa”, explica. O primeiro erro, por exemplo, é achar que a convivência com os avós pode atrapalhar o conceito de hierarquia. “A criança precisa saber que qualquer adulto que a trate bem merece respeito e, muitas vezes, obediência. Os pais devem explicar quais são as pessoas confiáveis e que ficarão responsáveis, quando eles estiverem ausentes. Além disso, a convivência dos netos com os avós traz uma nova experiência de vida e oferece aprendizado a ambos", afirma a especialista.

Dicas para os avós*

Os avós devem saber que não é tarefa deles serem pais;
Sempre que possível, contem para os netos como era a vida em outros tempos e como eram seus pais na idade deles. É importante que os mais velhos contem as histórias da família;
Quando tiverem dúvida do que fazer perguntem aos pais, principalmente se for algo de muita relevância;
Sempre conte aos pais fatos importantes sobre as crianças;
Mesmo que as medidas tomadas pelos pais sejam severas ou permissivas demais, não os desautorize. Opte pela conversa (longe dos netos);
Não permita qualquer tipo de desrespeito por parte dos netos e não tenha receio de colocar limites. Isso pode ser feito de forma afetiva e firme;
Se você não pode ficar com os netos, diga. Não é obrigação dos avós cuidar deles;
*consultoria: Blenda Marcelletti

Roseli Pires de Castro, psicopedagoga, diz que há, ainda, outra questão: o reflexo que a boa relação entre os pais e os avós causa nos filhos. "Há uma antiga teoria que diz que você pode saber se um homem e uma mulher serão bons pais pela maneira como lidam com seus genitores e como cada um viveu sua infância e adolescência. Portanto, demonstrar saúde nessa ligação só contribui para a educação das crianças", explica.
Todos os especialistas concordam que o diálogo evita conflitos. Os pais devem estar sempre em contato com os avós para deixar claro até onde eles podem ir. "Muitos entregam seus filhos e deixam tudo por conta deles. Isso não contribui para o equilíbrio das relações. O contrário também é válido: os avós podem mostrar qual é o tamanho da sua disponibilidade, já que muitos têm suas ocupações, projetos e amigos", diz Blenda.
O psicólogo Alessandro Vianna acha o contato estreito entre avós e netos positivo. O que o preocupa é a famosa frase: "pais educam e avós deseducam". "É extremamente importante que os avós mantenham a mesma linha de educação que os pais", diz. "O ideal é conversar com os avós para explicar que eles também fazem parte da educação das crianças e devem ser responsáveis. Essa instabilidade pode causar uma imensa confusão na cabeça da criança e até fazer com que ela crie a falsa fantasia que os pais não a amam como os avós."

O conflito entre gerações também é motivo de preocupação. Para Alessandro, é necessário considerar que tudo muda, assim como a forma de educar filhos. "Avós acreditam que sabem educar melhor do que os pais, mas esquecem que existem vários fatores que influenciam diretamente na conduta de uma criança que, pela circunstâncias atuais, os pais irão saber lidar melhor". Um exemplo: como avós conseguirão colocar limites nos netos em relação a Internet, se na época deles essa tecnologia não existia?

Palmadas educam ou traumatizam? Especialistas e pais divergem sobre o assunto
BÁRBARA STEFANELLI

“Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”. É isso que prega o artigo 5º do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), aprovado em 1990.
No entanto, apesar dos 21 anos da lei, os castigos corporais, e as tão culturalmente difundidas palmadas, ainda fazem parte da realidade infantil brasileira. Em 2010, em comemoração às duas décadas do estatuto, o ex-presidente Lula enviou para o Congresso Nacional o projeto de lei 7.672/2010, mais conhecido como a lei da palmada. Polêmico e já em vigor em países como Alemanha, Dinamarca, Áustria e outros, o intento continua em trâmite no Brasil e divide opiniões.
Mas com todos os relatos de violência contra as crianças que ainda existem e até com a possibilidade da criação de uma nova lei que as proteja, a pergunta que fica é: tem como instruir sem agressão? Segundo a psicóloga Luciana Maria Caetano, autora do livro "É Possível Educar as Crianças Sem Palmadas?" (R$ 24,70, Paulinas) e professora da UEM (Universidade Estadual de Maringá), sim, tem como.
Veementemente contra as palmadas, a pesquisadora das relações entre pais e filhos acredita que a educação infantil é fruto de um processo demorado e ainda afirma que o comportamento da família é mais eficaz do que uma palmada. "Ensinamos as crianças muito mais com as nossas atitudes do que com palavras ou palmadas", diz a especialista.
Para Luciana, não existe um método que cure o problema de um dia para o outro. "É preciso explicar e estabelecer regras que sejam cobradas diariamente. Os pais têm a responsabilidade de ensinar o que é certo e errado para os filhos. Infelizmente, muitos pais não sabem o que é certo e errado nem para eles.”

Psicóloga* lista consequências das agressões físicas:

Criança desenvolve raiva ou vergonha dos pais
Relação entre pais e filhos se distancia
Criança pensa que, como já apanhou, está livre para "aprontar" de novo
Tapinhas na mão de crianças muito pequenas podem gerar danos no desenvolvimento físico delas
Criança pode se tornar um adulto agressivo e reproduzir o modelo violento com filhos e mulher
Pais que usam a agressão tendem a formar filhos menos críticos
Castigos corporais ameaçam o bem-estar físico das crianças
Crianças podem adotar a violência na resolução de problemas
No momento da raiva, pais podem perder o controle e a palmada acaba virando uma pancada. É nessas horas que acontecem as tragédias
Problemas como depressão, ansiedade, sentimentos de desespero, infelicidade, baixa auto-estima, comportamentos anti-sociais e tendência ao uso e abuso de drogas na adolescência
*Fonte: Luciana Maria Caetano

A psicóloga e professora ainda afirma que muitos pais acham que "perdem tempo" explicando para seus filhos como as coisas funcionam e, impacientes, logo recorrem aos tapas. "Hoje em dia, os pais não têm mais tempo para sentar com as crianças. No entanto, é muito mais construtivo explicar para que servem as facas, os garfos, a tomada, por que não se bate no irmão, do que sair agredindo. Isso tudo leva tempo, mas tem resultado."

Terapeuta defende a palmada
Para a terapeuta infantil Denise Dias, autora do recém-lançado livro "Tapa na Bunda - Como Impor Limites e Estabelecer um Relacionamento Sadio com as Crianças em Tempos Politicamente Corretos" (R$ 27, Matrix), as palmadas podem ser usadas na educação das crianças, sim.
Apesar de fazer questão de deixar claro que não faz apologia à violência, a autora, que é contra a aprovação da lei da palmada, diz que o método pode ser usado como forma de punição. "Infrações mais graves, como xingar ou bater nos pais, merecem punições mais sérias. No entanto, não existe um ‘tapômetro’, para medir quando a criança merece uma palmada ou não.”   
Para ela, é essencial que os pais imponham autoridade e dêem ordens claras aos filhos, sem receio de usar palavras de ordem e dizer: "eu mando em você". "Se uma criança derruba um copo de leite no chão ou faz pirraça na hora de tomar banho e o pai parte para a agressão, antes de tentar conversar, aí o tapa é banalizado. Mas há crianças que já ficaram de castigo, ficam provocando por duas horas, e continua teimando em fazer mal criação. Ela está pedindo mais contenção."
Segundo a teoria de Denise, muitos pais acham uma gracinha quando os filhos fazem escândalo no restaurante ou incomodam o almoço de outras famílias. E ainda há pais que têm dificuldade em dizer não e vivem fazendo a vontade dos filhos. Por causa disso, algumas crianças crescem e se tornam monstros, "que quebram o braço de alguém quando escutam um não em um bar e desrespeitam autoridades ou superiores."
Denise acredita que a maioria das pessoas tem discernimento do que é um tapa ou uma surra. "Muitos pais se negam a dar uma palmada, mas ficam gritando e xingando a criança o dia inteiro, falando coisas violentas para  a criança. Palmada no bumbum arde, mas passa."

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