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sexta-feira, 11 de novembro de 2011

LINGUÍSTICA

CONCEITOS E OBJETOS DA LINGUISTICA

            As definições e objetos da Lingüística à luz de estudiosos que pertencem a diferentes correntes lingüísticas:
              Ferdinand de Saussure, em seu Curso de Lingüística Geral, nos diz que:
              A matéria da Lingüística  está constituída em primeiro lugar por todas as manifestações da linguagem humana, e se trata de povos cultos e incultos, de nações civilizadas ou selvagens, de épocas arcaicas, clássicas ou em decadência, atentando em cada período não só a linguagem correta e bem falada, mas todas as formas de expressão.”

             A tarefa da Lingüística, ainda segundo Saussure, será:

a)      Fazer a descrição e a história de todas as línguas que possam alcançar, o que equivale a fazer a história das famílias de línguas e reconstruir na medida do possível as línguas mães de cada família;
b)      Buscar as forças que entram em jogo de maneira permanente e universal em todas as línguas, e deduzir as leis gerais a que podem reduzir todos os fenômenos particulares da história;
c)      Delimitar e definir ela mesma.

Leonard Bloomfield diz que:

   “ O objeto da Lingística é, dede logo, o falar humano. Outras atividades, como a escrita, que serve como substituta da fala, concerne à Lingüística somente um aspecto semiótico (semântico), como representações de fonemas ou de formas da fala” [...] “a Lingüística estudaria primeiro as formas e depois examinaria seus significados, posto que a linguagem consiste na resposta humana da multiplicidade e diversidade de mundo por meio de simples cadeias de uns poucos e típicos sons da fala.

   O lingüista francês André  Martinet, entende que:

 ”Lingüística é o estudo científico da linguagem humana. Um estudo se chama científico quando se funda sobre a observação dos casos e se abstém de propor uma seleção entre estes casos em nome de certos princípios estéticos ou morais. “Científico” se opõe a prescritivo. No caso da Lingüística é particularmente importante insistir sobre o caráter científico e não prescritivo de seu estudo” [...] “Todavia hoje, a maior parte das pessoas, incluindo a culta, ignora quase a existência de uma ciência da linguagem distinta da gramática tradicional, escolar.”

   Finalmente, John Lyons, lingüista inglês, considera que:

“ A Lingüística pode ser definida como o estudo científico da língua” [...] “ por estudo científico da língua se entende a investigação por meio de observações controladas e verificadas empiricamente e com referência a uma teoria geral de sua estrutura”.

A história da Lingüística – estuda a história de uma ciência, recuperando sua origem e seu desenvolvimento no tempo.

Franz Bopp, cujo livro sobre o sistema das conjugações indo-europeias da origem, em 1816, a uma nova era lingüística, é ainda movido pela idéia de vir a conseguir “observar a linguagem no seu surgimento e no seu desenvolvimento”. A diferença entre ele e os predecessores __ e é revolucionária __, é que ele procura remontar no sentido desta origem e desta evolução através de meios, em princípios, puramente lingüísticos, e não metafísicos. Com efeito, a descoberta do sânscrito conjuga-se com a vaga do comparativismo: pede-se então às ciências naturais os princípios e os métodos que acabam de assegurar os notáveis resultados de  Curvier  em Paleontologia comparada. É a idade da gramática comparada.

Durante meio século aplica-se então à linguagem, até à exaustão, o modelo biológico, ou seja, as línguas seriam organismos vivos que nascem, crescem e morrem. Como todos os organismos vivos conheceriam um tempo de perfeição breve, no fim da adolescência: antes da escrita. Ao começarem a ser escritas, estarão fadadas à senilidade. Meillet também isso observou bem: Bopp encontrou a gramática comparada procurando a origem das línguas indo-europeias, como Cristóvão Colombo a América na procura do caminho da Índia.

Lingüística Histórica – estuda as mudanças que ocorrem nas línguas à medida que o tempo passa. A gramática comparada para estabelecer um parentesco, não tomava em conta a idade histórica dos estados das línguas correlacionadas: comparava-se o sânscrito do primeiro milênio, o grego do século VIII, o latim do século V (antes da nossa era) com o gótico do século IV, o eslavo do século IX e o persa do século XVI ou XVIII (da nossa era). Todavia, para a gramática comparada das línguas germânicas, por exemplo, elaborada por Grimm, dispunha-se de textos escalonados do século IV ao século XIX, para a gramática das línguas as românicas elaboradas por Diez, os textos estendiam-se por dois milênios e meio. A comparação tornava assim mais fácil a demonstração dos parentescos; mas, por outro lado, a cadeia ininterrupta dos textos incitava a deslocar o centro de interesse das investigações para lá dos parentescos estabelecidos, e a estudar as leis que determinavam a passagem de um dado  estado de língua ao estado seguinte. A gramática comparada tornava-se realmente estudo da evolução contínua das línguas, ou lingüística histórica.

Esta transformação realiza-se nos anos de 1876__1886,com a escola dos neogramáticos. A fonética é então rainha: é ela que explica a quase totalidade das transformações lingüísticas. Quanto ao resto, recorre-se à ciência que sobe ao céu do conhecimento, ou seja, à psicologia. Mas, é a história, a ciência piloto do pensamento do século, que se conserva no centro da teoria lingüística. Destroem-se as metáforas naturais do período anterior. A língua não é um organismo biológico, é uma instituição humana. A lingística não pertence às ciências naturais, mas “como os outros produtos da civilização humana [...] é uma ciência histórica”. É essa a primeira frase do grande tratado de lingüística de Hermann Paul de 1880.

Finalmente apareceu Saussure, trinta anos mais tarde, é a meditação renovada sobre a linguagem como instituição social, que vai caracterizar a transformação saussuriana. Saber em que medida a investigação de Saussure (1857 – 1913) foi influenciada pela sociologia de Durkheim. Saussure estabeleceu que a primeira etapa de uma ciência da linguagem deverá ser o estudo do funcionamento desta, e não o da sua evolução. E que a lingüística histórica, cuja legitimidade não contesta, deve ser metodologicamente secundária em relação a uma lingüística descritiva mais fundamental. Em 1922, dirá  Jespersen que “para a ciência pura da linguagem começar pelo sânscrito (alusão à lingüística histórica) seria começar pela porta errada, como seria errado começar o estudo da zoologia pela paleontologia”. É a célebre oposição entre a linguística sincrônica e a linguística diacrônica.

A preocupação em compreender o puro funcionamento da linguagem como instituição social, aqui e no momento presente, leva Saussure a insistir na noção de sistema. A palavra é muito antiga em lingüística, data pelo menos do século XVIII, mas Saussure dá-lhe um rigor que faz dela já quase um sinônimo de código. Com efeito, para compreender o funcionamento do sistema, Saussure volta ao velho problema da natureza do signo, abandonado pelo XIX. O signo deixa de ser para ele sinônimo de palavra, e a noção ezuma experiência empírica bi-milenar, são postos de novo em causa fundamentalmente, para saber como isso funciona. O termo mais importante de Saussure, neste domínio, é unidade: ele procura as unidades reais porque é constituída a cadeia fônica, sem a priori __ o que nos leva à noção de codificação. Apesar de ele não gostar da palavra estrutura, são na verdade análises estruturais as que nos propõe para estudar as unidades do código que constroem as mensagens.

A última grande etapa da história da lingüística é o nascimento da fonologia, em 1926-1928, obra essencialmente de Trubestzkoy (1890-1938) que desenvolve a análise da cadeia fônica nas suas últimas unidades reais, no plano fônico. O conceito de fonema surge definido como o sinal lingüístico invariante que permite identificar como uma mesma unidade os i acusticamente tão diferentes de uma criança, de um homem e de uma mulher, de um jovem e de um velho, de um baixo e de um alto. Trubestzkoy demonstra, por fim, como é que estas unidades funcionam como sinais: O som r , em francês, pode ser realizado com uma vibração, quer da ponta da língua, quer da úvula, ou por meio de uma fricção do ar contra o véu palatino. Todavia não constituem três fonemas franceses diferentes (ao contrário do que acontece em árabe com estas articulações) porque rire, pronunciado destas três maneiras não remete a três significantes diferentes portadores de três significados diferentes, mas ao mesmo. E o fonema francês único /r/ opõe-se a todos os outros fonemas franceses possíveis aqui, quer como vibração distinta de todas as oclusões ou fricções constitutivas dos outros fonemas consonânticos franceses, quer como fricção distinta de todas as outras fricções francesas pelo ponto de articulação, o véu palatino. É com base nestes caracteres funcionais das unidades na comunicação que se identificam, se definem e se classificam os fonemas de uma língua.

Trubetzkoy procede expressamente de Saussure, mas sem dúvida alguma, deve muito, também, às suas primitivas preocupações de etnólogo, absorto por problemas de linguística descritiva, e não histórica. Na mesma época, aliás, num quadro em que a experiência etnográfica é tão pesada, Sapir (1922) e depois Bloomfield (1933) chegam na Ámerica  à mesma noção de fonemas.

 Após 1945, as Ciências Sociais __ a Etnologia, a Sociologia, a Psiquiatria, a própria Filosofia __ descobrem essa lingüística funcional e estrutural. Subtraem-lhe, talvez demasiado cedo, instituições ou procedimentos, princípios ou analogias.

Relação da Linguística com as outras Ciênciais:

Sociolinguística_____Psicolinguística____Geolinguística____etnolinguística__













                                                                                                          

      Sociologia              Psicologia                Geografia                  Etnografia

Linguística Pedagógica____Literolinguística____Neurolinguística
                                                                                   
                                                                                   
Pedagogia                               Literatura               Neurologia

Linguística Matemática



            
 Matemática

A Linguística descritiva, a partir de Saussure e Bloomfield, passou a utilizar o método indutivo: trata-se de reunir um corpus selecionado segundo certos pré-requisitos, em trabalho de campo, se efetua a segmentação e classificação dos dados.

A Gramática que considera este método se denomina taxonômica, em contraposição as outras  que utilizam o método hipotético dedutivo.

Além do método indutivo, se propõe ainda muitos manuais clássicos de lingüística, o método dedutivo foi ganhando espaço com o desenvolvimento da gramática gerativa.

A Idade da Linguística __ a lingüística terá nascido por volta do século V. a.C., ou em 1816 com Bopp, ou 1916 com Saussure, ou 1926 com Trubeztkoy, ou em 1956 com Chomsky. Trata-se de um saber muito antigo e de uma ciência muito jovem. Há mais de dois milênios e meio, pelo menos, que os homens realizam uma reflexão sobre a linguagem.

Os Hindus, os Gregos, depois os Árabes, sobretudo os primeiros, lançaram as bases de uma análise fonética notável , que foi descuidada durante mil anos. A análise da palavra por parte dos hindus, a classificação dos elementos da proposição por parte dos gregos eram igualmente e já nessa altura as análises estruturais também aconteciam. Antes deles, porém, a própria invenção da escrita testemunha o caminho dos homens no sentido da análise cada vez mais aprofundada das estruturas da linguagem. Para chegar a escrita alfabética, foi preciso ter tomado consciência, por mais empírica que fosse da existência das unidades mínimas que as letras materializam, e que hoje se chamam fonemas.Tinha razão Meillet “Os homens que inventaram e aperfeiçoaram a escrita foram grandes lingüistas , e foram eles que criaram a linguistíca”.

A idade média também não dormiu. Enquanto os puros gramáticos transmitem rearranjos latinos de gramáticos gregos, continuam a criar-se alfabetos (o gótico, o cirílico, etc). Em toda parte, na Islândia, na Inglaterra, França, Espanha, Itália, começa o grande movimento das reformas da ortografia que vai estimular até ao século XVIII o estudo da fonética, ativado então pela invenção da imprensa. Tem –se a ousadia no século XIV dessa coisa quase sacrílega que foi escrever as gramáticas das línguas vulgares – honra insigne reservada por um culto milenário ao latim. No século XVI viajantes e missionários fornecem já descrições de línguas ameríndias. São também dessa altura os dicionários poliglotas (Ambroise Calepin) e as primeiras classificações de línguas (Scaliger).

Longe das gramáticas gerais e fundamentais que muitas vezes ocupam o maior  lugar nas histórias, o século XVII e o século XIII prosseguem em todas as direções: a fonética progride ao mesmo tempo que a anatomia, apaixona os inventores de estenografia e linguas artificiais , os educadores de surdos mudos.Colecionam –se amostras e descrevem se centenas de línguas.Estuda-se o russo, copta, chinês. Mas a perspectiva histórica na consideração das línguas, apesar de alguns precursores, permanece obscura por um problema insolúvel – o da origem da linguagem – ao qual são aplicadas hipóteses falsas: o hebreu como língua-mãe, ou os a priori da psicologia da época sobre o que se deve ter passado para que os homens comecem a falar.

Em relação a esta longa e desordenada reflexão, a grande revolução é a descoberta do sânscrito entre 1788 e 1816. O contato entre a Europa e  India faz surgir com uma espantosa evidência o parentesco com o latim, do grego, do sânscrito, das línguas germânicas, eslavas e célticas.Assim se acha desvanecido o encantamento das línguas-mãe de origem teológica ou filosófica. Oferece-se um ponto de apoio novo a reflexão sobre as línguas, que tem ainda a parte, como objetivo, resolver um mesmo problema: o da origem da linguagem.

Origem e evolução da Língua Portuguesa – originou-se da língua latina, falada pelos romanos na  Península Ibérica, que atualmente compreende Portugal e Espanha.

No século III a.C os romanos invadem a Península , anexando o Império Romano a região dominada. Esse povo da Península se viu obrigado a aprender o latim falado pelos invasores, devido a convivência constante, embora em várias regiões essa nova língua era apenas falada e utilizada pelo povão, sem elegância, sem formalidade , era o chamado “latim vulgar”, diferente do latim clássico , que era falado e escrito.

No século V a.C os povos bárbaros, de origem germânica invadem a Península, conquistado-a , ocorre o esfacelamento do Império Romano e os falares (os diversos dialetos) são cada vez mais acentuados, pouco a pouco a língua latina vai deixando de ser ensinada nas escolas, transformando-se em uma mistura entre o latim vulgar  os dialetos ibéricos , transformando-se em romano ou romance.

No  século VIII, há nova invasão na Península, os árabes conquistam a região, esse domínio contribuiu pra aumentar as diferenças entre vários romanos, surgindo as línguas românicas, ou neolatinas: galego-portugûes, castelhano,catalão, francês, provençal, iatliano, sardo,romeno.  O galego-português , ainda não é propriamente uma língua, estava limitada a faixa ocidental da península e com o tempo, acentuam-se as diferenças entre o galego e  o português.Mais ou menos apartir do Sec XIV é que cada uma passa a ser independente e o Português oficializa-se como idioma, com a independência política de Portugal, na guerra para expulsar os árabes. D.Afonso VI, rei de Castela casa sua filha D. Tareja cm D. Henrique de Borgonha, era francês, recebeu como presente o território da parte ocidental da Ibéria, chamado d Condado Portucalense. Com a morte do nobre francês e sucessivos conflitos, seu filho D. Afonso Henrique, transforma esse condado em monarquia independente e institui o Português como idioma oficial do novo reino d Portugal, embora Portugal já existisse como nação desde o Sec XI.Só no Séc XII é que surgem os primeiros textos escritos em Português.

Exemplos de alguns vocábulos pós – latinos:
Germânicos: Guerra, Marechal, Roupa
Árabes: açougue, arroz, xarope
Provençais; alegre, trovador, menestrel
Franceses: abajur, apartamento, toalete
Espanhois: bolero, neblina, pastilha
Italianos: aquarela, bandolim, macarrão
Ingleses: basquete , bife,sanduíche
Indígenas: arara, jabuticaba ,mandioca
Africanos: camundongo, mandinga, cachaça

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