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sábado, 12 de novembro de 2011

Nos bastidores da análise da Poesia "Rumo" de Thiago de Mello

Rumo:
2. Somente sou quando em verso

Minhas faces mais diversas
São labirintos antigos
Que me confundem e perdem

Meu pensamento perfura
Muros de nada à procura
Do que não fui nem serei

Ante a carne fêmea e branca
Meu corpo se recompõe
Ofertando o que não sou

Meu caminhar e meus gestos
Mal e apenas anunciam
Minha ainda permanência

Para chegar até onde
Não me presumo, mas sou
Sigo em forma de palavra

Thiago de Mello

* A ‘coxia’ da poesia “Somente sou quando em verso” de Thiago de Mello

  O
 título da poesia “Somente sou quando em verso” inicia-se no tempo presente em primeira pessoa do singular do modo indicativo, onde o poeta – Eu lírico -  diz como se realiza em meio ao verso e evidencia, por si só, as partes do poema. Por conseguinte, torna-se visível o uso de versos livres, característica do Modernismo, muito usado a partir da segunda década do nosso século. Sendo assim, este tipo de verso, composto de cinco estrofes de tercetos brancos não há utilização de rimas. Por isso esta classificação chama-se Assimetria, devido ao fato do poeta ter liberdade quanto à ausência de rimas, contrariando o verso tradicional.
            “A poesia limita-se com as artes plásticas, ao transmitir imagens criadas a partir de palavras que o senso comum não admite, e com a música, dada a musicalidade comum ao poema. Mas é ao promover “a dança do intelecto entre as palavras”, como dizia Pound, que se percebe a verdade transfigurada da poesia. Como tudo o mais na vida, é uma questão de exercício. Se você se exercita para reconhecer a verdade ela acabará se mostrando a você, mesmo em forma de poesia”. (ZEMARIA PINTO, 2009).
            De acordo com a métrica - na camada sonora de cada verso – o poeta obedece um esquema rítmico fixo, onde a poesia é composta de sete sílabas em cada um, conhecido como redondilha maior ou heptassílabo. Também neles, as sílabas tônicas internas variam conforme a sonoridade. No primeiro; sétimo; nono; décimo - primeiro, segundo e quinto versos as sílabas tônicas caem na e 7ª. Já nos versos, segundo; terceiro; quarto; quinto; sexto; décimo; décimo – terceiro e quarto a tonicidade silábica está na e 7ª, que são as predominantes da poesia. E, por último, no oitavo verso sendo o núcleo poético, aonde Thiago de Mello, metrifica tonicamente na e 7ª sílabas, diferenciando-o dos demais versos.
            Em seguida, para realçar palavras, ele utiliza figuras sonoras: Aliteração e Assonância, predominantemente. Naquela, que é a repetição da consoante no interior de um ou mais versos, temos no primeiro e segundo à presença constante da consoante ‘s’, oferecendo assim uma sonoridade oral e fricativa nas palavras. A partir do terceiro até o décimo – segundo  versos  visualizamos a utilização das consoantes ‘n’ e ‘m’, dando-lhes um ritmo bilabial sonoro nasal.
            Nesta, pelo contrário, é a repetição da mesma vogal dentro de um ou mais versos. Então, no primeiro; segundo; quinto; sétimo; oitavo e  nono versos verificamos a predominância da vogal ‘a’. Também, no primeiro e segundo versos a repetição da vogal ‘i’. E, no terceiro; quarto e quinto versos à presença repetitiva da vogal ‘e’.
            Além disso, no terceiro verso observa-se que o mestre usa um recurso de significação das palavras, a conotação, para dizer que o seu pensamento vai além da própria imaginação, dizendo o seguinte:
“[...]Meu pensamento perfura[...]”
           E também, no primeiro e segundo versos:
Minhas faces mais diversas
  São labirintos antigo[...]”, utiliza uma figura de estilo, a metáfora, para expressar que seus sentimentos se encontram perdidos em seu próprio mundo, onde nele tem o poder de transformar-se em palavras, e assim, também, de viver dentro e fora dele, como ser humano e espírito de poeta. Em seguida, escreve em estilo de anáfora, no quarto, oitavo, terceiro, sexto e nono versos a simetria nas frases com a repetição das palavras “meu” e “que”, respectivamente. Aliás, nota-se à presença, também, de polissíndeto pelo qual explica a reprodução intencional de conjunções no terceiro, sexto, sétimo, décimo e décimo – primeiro versos dos conectivos “e” e “nem”.  
            Sintaticamente, não só nota-se a veracidade de frases com períodos longos na ordem direta e indireta mas também é nítido à utilização de sujeito simples e composto. Então, observa-se que a primeira estrofe está na ordem direta contendo sujeito simples e predicado verbo-nominal. Contudo, na terceira estrofe há um recurso de construção chamado, anástrofe, pelo qual inverte os termos do período. Consideravelmente, na quarta estrofe o mesmo recurso anterior é retomado, mas com sujeito composto, ao contrário da outra que contém sujeito simples. Ainda mais, utiliza-se constantemente verbos na 1ª e 3ª pessoa do singular nos tempos presente e pretérito perfeito do modo indicativo.
            Por outro lado, verifica-se à presença de crase e elisão, fenômenos que são caracterizados pelo encontro de vogais iguais e diferentes entre uma e outra palavra, respectivamente. No quinto, nono e décimo - segundo versos temos crase em –a  à -, -o o- e –a a-; elisão no sétimo verso em - e a -, a e-, décimo - primeiro, foneticamente, -/w/ /e/- e comum em - e a-, e por último, no décimo- quinto verso, mais um caso de elisão entre fonemas seguido de um ditongo nasal, -/w/ /ei/.
            Ainda por cima, a obra poética possui em sua estrutura um plano de conteúdo contendo dois elementos: a Tese e a Antítese. No primeiro, pode-se observar a partir do título a sua última palavra “verso”, qual será o conteúdo a ser abordado na poesia, e no outro, é o último verso que concluirá a forma poética até a sua derradeira palavra “palavra”, contextualizando assim uma ligação entre o início e o final do gênero.
            No entanto, percebe-se na última estrofe pausas pelas quais caracterizam o silêncio entre os versos ou elementos dos versos. São chamadas também de “Cesuras”. Observa-se isto, principalmente, na passagem entre os versos: décimo – terceiro, décimo – quarto e décimo - quinto. Sendo que, as pausas presentes são necessárias na intenção de ora opor-se ora reafirmar-se o que declara na poesia.
 “[...]Para chegar até onde //
Não me presumo, //  mas sou //
Sigo em forma de palavra[...]”
            Em suma, na camada textual, o autor traz uma forma conceitual de como compôs os versos. Tendo em vista, uma teoria que o levou a proporcionar uma nova visão de não só ler as palavras mas também senti-las através da poesia numa forma dispersa de qualquer regra. “A comunicação não é regida por normas fixas e imutáveis. Ela pode transformar-se, através do tempo, e, se comparar textos antigos com atuais, percebem-se grandes mudanças no estilo e nas expressões”. (GARCIA, 2003). Outrossim, referindo-se ao núcleo temático, o protagonista encara as circunstâncias da sua própria vida num “Conflito Clássico”. E assim, no eixo estrutural emocional, todas as relações do poema estão presas à matéria que as corporifica. Desse modo, cada aspecto da palavra (o fônico, o lexical, o sintático, o semântico, o gráfico...) passa a ter uma relevante importância para a Análise Textual.
            Portanto, o verso de sete sílabas ou de redondilha maior foi sempre o verso popular, por excelência, das literaturas de língua portuguesa e espanhola. Verso básico da poesia popular, desde os trovadores medievais aos modernos cantores do Nordeste brasileiro, o heptassílabo nunca foi desprezado pelos poetas cultos, e Thiago de Mello faz  jus a este cultismo por ser um poeta do Modernismo,  que através dele,  por vezes, se serviu de poemas de alta indagação filosófica. “A poesia encerra mais filosofia e elevação do que a história; aquela enuncia verdades gerais; esta relata fatos particulares.”[...] (ARISTÓTELES, 1993).
   
5. Bibliografia
Goldstein, Norma. Versos, sons, ritmos/Norma Goldstein. – 13ª. Ed. – São Paulo: Série                               Princípios – Editora Àtica, 2001.
Pinto, Zemaria. O Texto Nu – Teoria da literatura: gênese, conceitos, aplicação./Zemaria Pinto. Manaus: Editora Valer, 2009.
Louro, Francisca de Lourdes. Estilística/Francisca de Lourdes Louro – Manaus: Apostila, 2011.
Louro, Francisca de Lourdes. Fundamentos filosóficos de teoria literária – 1 – Manaus: Apostila, 2011.
Cunha, Celso, 1917 – 1989. Nova gramática do português contemporâneo/Celso Cunha, Luís F. Lindley Cintra. – 5. Ed. – Rio de Janeiro: Lexikon, 2008.
Cegalla, Domingos Paschoal. Dicionário escolar da língua portuguesa/Domingos Paschoal Cegalla. – 2. Ed. – São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2008.
Nova mega pesquisa. – 3. Ed. – São Paulo: Rideel, 2003. Vários autores. 1.Ensino Médio – Pesquisas. 2. Pesquisa Educacional.
Cereja, William Roberto. Português: linguagens: volume único/William Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – São Paulo: Atual, 2003.

 1.     Introdução
A poesia “Somente sou quando em verso” de Thiago de Mello está neste trabalho desfragmentada desde a sua estrutura até o estilo de época. O objetivo principal dele é elevar o conhecimento do leitor a ver a poesia com um olhar, agora, diferente. Não só lê-la por causa das palavras bonitas mas também pelo fato de que ela, a poesia, ter sido estruturada com sentimento e apesar disso ter um estilo predominante do tempo de vida do autor. Portanto, caro leitor, sinta; viaje; e acima de tudo, leia cada palavra com bastante atenção e navegue comigo nos bastidores do mundo dos versos desta obra.  
  
4. Conclusão
O verso de sete sílabas ou de redondilha maior foi sempre o verso popular, por excelência, das literaturas de  língua portuguesa e espanhola. Verso básico da poesia popular e é nesse ponto que Thiago de Mello se classifica como um poeta do Modernismo onde é exaltado por seu estilo próprio e moderno de compôr seus versos. Dessa forma, “Ele” nos eleva a um patamar onde nos vemos dominados pela forma de como escreve, como se faz poesia de verdade e é nisso que ele influencia cada pessoa a tentar, possivelmente, interpretar cada palavra que quer dizer em cada verso composto ou em cada poesia escrita.

  Sumário
1.     Introdução
2.     Somente sou quando em verso (Thiago de Mello)
*A ‘coxia’ da poesia “Somente sou quando em verso” de Thiago de Mello
3.     Biografia de Amadeu ‘Thiago de Mello’
4.     Conclusão
5.      Bibliografia

                   3.      BIOGRAFIA
Amadeu Thiago de Mello (Barreirinha, 30 de março de 1926) é um poeta brasileiro.

Thiago de Mello nasceu na cidade de Barreirinha, no coração do Amazonas, no dia 30 de março de 1926. Em Manaus, capital do Estado, fez seus primeiros estudos. Mudou-se para o Rio de Janeiro (RJ), onde cursou a Faculdade de Medicina até o quarto ano. Acabou optando por deixar os estudos médicos e dedicou-se à poesia.

Tem obras traduzidas para mais de trinta idiomas. Preso durante a
ditadura (1964-1985), exilou-se no Chile, encontrando em Pablo Neruda um amigo e colaborador. Um traduziu a obra do outro e Neruda escreveu ensaios sobre o amigo. No exílio, morou na Argentina, Chile, Portugal, França, Alemanha. Com o fim do regime militar, voltou à sua cidade natal, Barreirinha, onde vive até hoje.

Seu poema mais conhecido é Os Estatutos do Homem, onde o poeta chama a atenção do leitor para os valores simples da natureza humana. Seu livro Poesia Comprometida com a Minha e a Tua Vida rendeu-lhe, em 1975, ainda durante o regime militar, prêmio concedido pela Associação Paulista dos Críticos de Arte e tornou-o conhecido internacionalmente como um intelectual engajado na luta pelos Direitos Humanos.

Em homenagem aos seus 80 anos, completados em
2006, foi lançado, pela Karmim, o CD comemorativo A Criação do Mundo, contendo poemas que o autor produziu nos últimos 55 anos, declamados por ele próprio e musicados por seu irmão, Gaudêncio Thiago de Mello.

Autor: Francisco Eriberto

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